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Reconquista ( 21 de Junho de 1991 )
" Câmara Idanhense inaugura Arquivo Municipal
A Câmara Municipal de Idanha-a-Nova evocou a figura e a obra de Jaime Lopes Dias e apresentou a nova edição dos onze volumes da "Etnografia da Beira".
O acontecimento teve lugar no palacete das Palmeiras, no passado sábado, e reuniu autarcas, personalidades ligadas à cultura e os familiares de Jaime Lopes Dias António Paulouro, António Salvado e Luis de Quadros foram os oradores que traçaram a memória de Jaime Lopes Dias, realçando os seus feitos e seus ideais na luta pelo desenvolvimento da Beira Baixa. Paulouro lançou mesmo um repto: que a Barragem de Idanha se passe a chamar Barragem Jaime Lopes Dias, dado ter sido o grande impulsionador da sua construção, mas que a política teimosamente continua a dedicar a Marechal Carmona.
A evocação da obra escrita de Jaime Lopes Dias coube a António Salvado: ''voltei-me, no estudo, para algo que tem escapado àqueles que se dedicam à etnologia e etnografia e apercebi-me da profunda honestidade de Jaime Lopes Dias. Na sua acção de etnógrafo, ele observa e analisa os problemas da sua :Beira e, mais do que um estudo descritivo, a sua vasta obra revela a etnologia. E vai sendo tempo de se lançar em livro a "Etnologia da Beira Baixa", cujo propósito deverá caber às caber ás Câmaras de Idanha-a-Nova e Penamacor".
Uma curiosidade, fruto da investigação de António Salvado, deverá ser tida em linha de conta, sobretudo no folclore beirabaixano: a introdução do refrão "Olha a laranjinha" na popular cantiga "Almortão" é uma invenção anónima, que a análise de Jaime Lopes Dias nunca refere, devendo, portanto, ser retirada da composição musical. António Salvado insistiu no projecto e sonho de Jaime Lopes Dias, que não foram totalmente realizados. A obra espantosa que deixou era para chegar mais longe. Um trabalho que espera ... boas vontades e generosidade, a começar, logicamente, pelas Câmaras Municipais.
Momento áureo da sessão foi a entrega da colecção de jornais "Povo da Idanha" à Câmara Municipal idanhense, pelo vereador Fernando Penha, em representação de César Vila Franca. A autarquia albicastrense associava-se à homenagem e honrava a edilidade raiana com a oferta de um espólio jornalístico, de autoria de Jaime Lopes Dias, e publicado entre 1914 e 1916.
A encerrar a cerimónia de lançamento da segunda edição de Etnografia da Beira, Joaquim Morão agradeceu a presença de vasto e distinto auditório, recordando o compromisso assumido pela Câmara, no ano do centenário do nascimento de Jaime Lopes Dias. Em 4 de Outubro de 1990, a autarquia de Idanha-a-Nova assumia o compromisso de reeditar os 11 volumes de A Etnografia da Beira Baixa, esgotada no mercado e cobiçada pelas gerações mais novas. "E o contributo que damos à cultura de todos nós, pois temos o dever e a obrigação de perpetuar a obra que Jaime Lopes Dias nos legou", referiu o a autarca. E se o passado já refere as lutas travadas pelo desenvolvimento da raia, o presidente da Câmara de Idanha não escondeu o muito que ainda falta fazer para o bem-estar das populações:''a nossa luta, na hora actual, é contra a desertificação. Não queremos ser derrotados... e vamos ganhar esta guerra, tal como temos vencido inúmeras batalhas.
É nossa meta alcançar a sobrevivência do concelho de Idanha. Já conseguimos as infra-estruturas básicas, cuja opção agarráramos com unhas e dentes, e vamos lutar ainda mais para estancar o decréscimo da população. Estamos a conseguir A vitória será de todos, quando há bem pouco tempo ainda estávamos em queda livre. Queremos projectar este concelho para o futuro. "
Recorde-se que a evocação da obra de Jaime Lopes Dias foi também ocasião para inaugurar o novo espaço do Arquivo Municipal, lugar onde decorreu a apresentação da nova edição de A Etnografia da Beira Baixa.
O novo espaço era um antigo palheiro e armazém de carvão. Feitas as obras de recuperação, a Câmara ali instalou a vasta documentação que se repartia por diversas casas. Não se trata de mais um depósito de livros, mas sim dum espaço público, onde o livro e o documento se encontram devidamente catalogados e informatizados, após um tratamento capaz de vencer o peso dos anos, e com possibilidade de chegarem à mão do leitor mais erudito. Trata-se de um edifício antigo recuperado com a tecnologia do século XX. O professor Pinto de Andrade, impressionado com o aspecto final da recuperação, terá mesmo lançado o desafio: "este espaço é óptimo para se instalar uma Biblioteca de estudantes''. Feliz ideia, tanto mais que a Idanha vai
receber os primeiros caloiros universitários, lá para Outubro.
O sucesso da recuperação foi tão satisfatório que se vislumbra já a recuperação de uma antiga cavalariça para se transformar no auditório que servirá a Vila. O esboço do projecto está traçado e os trabalhos, no terreno, iniciarão brevemente. "
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in Reconquista ( 21 de Junho de 1991 )
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