Freguesias / Medelim
Alcafozes , Aldeia de Santa Margarida , Idanha-a-Nova , Idanha-a-Velha , Ladoeiro , Medelim , Monfortinho , Monsanto , Oledo , Penha Garcia , Proença-a-Velha , Rosmaninhal , Salvaterra do Extremo , São Miguel D' Acha , Segura , Toulões , Zebreira
 
   
Porquê, A "Aldeia dos Balcões"?

 » Um pouco da sua longa história
 » O "Senhor do Calvário", Sala de Visitas e Encontro de Fé
 » Fé e Monumentos

A razão é simples: Medelim é seguramente uma das povoações beirãs que ostenta maior número de típicos balcões que o arquitecto espontâneo e de centenar tradição espalhou pelas Beiras, e aqui aliando a quantidade a uma das melhores qualidade e variedade.

Contam-se 116, sem incluir alguns de mais erudita arquitectura que se contêm nas casas senhoriais (além de 23 interiores).

O balcão é constituído normalmente por uma escada em granito de grandes lajes, que termina num patamar de acesso, também lajeado a granito, e rodeado ou não de grandes guardas inteiriças do mesmo material, normalmente duas. Nas paredes de sustentação a pequena pedra granítica muitas vezes casa admiravelmente com o xisto (a "piçarra" ou "pcerra"), de filão geológico paralelo ao dos belos granitos amarelados da região. Raramente esta típica construção exterior da casa rústica beirã, que dá acesso à entrada do lar, é ainda encimada por colunas graníticas ou em madeira que definem o conjunto com alpendre abrigado.

Destinada ao acesso ao piso da habitação sem lhe ocupar espaço interior, outra das características desta arquitectura provém do uso também dado ao balcão: aproveitamento em túnel do espaço por debaixo das escadas e das lajes para gado, a cabra, o porco, as ovelhas, os galináceos, prolongando-se às vezes para debaixo do piso de habitação para a aquecer.

Medelim possui grande número de balcões em perfeito estado, mesmo quando a economia de subsistência já não mantém o gado doméstico em casa. Trabalho persistente será o de obter a recuperação para a sua bela estética inicial de todos aqueles que o tempo e a incúria degradaram.

Rua Nova
Na "Rua Nova"
A hoje denominada Rua Victor Pires Franco - em honra do benemérito medelinense "brasileiro", que, regressado de Terras de Santa Cruz, mandou construir a torre e cais da Igreja Matriz e as muralhas e a escadaria do Senhor do Calvário - chamou-se de Rua Nova, por ter sido a última a ser rasgada antes da urbanização da zona da Lameira.

Esta rua possui alguns balcões que merecem reparo e detença.

Sobre a Lameira (o "leque", a partir do qual se desenvolve "o bairro" oferecido pela família Lopes Cardoso) dizia o Padre Canilho em 1758: " Há uma lagoa em planície e a sua virtude é criar muitas sanguessugas" - onde as pessoas iam abastecer os seus "bicheiros" ou "picheiros", alfobre caseiro daqueles bichos curativos.

Rua Adua de Vacas

Na rua da "Adua de vacas"
Hoje deturpadamente chamada Rua Nova, por adulteração do seu nome primitivo, tornado pouco atraente, para "Rua de Vacas", a Rua da Adua de Vacas, nome correcto, é dos mais antigos arruamentos da povoação dentro de muralhas. O vocábulo Adua é de origem árabe que significava rebanho, pois que aqui existia um curral comunitário até ao princípio do séc. XX, onde os bovinos eram recolhidos durante a noite e de onde saíam para o trabalho ou pastagem.

Aqui existem balcões de grande qualidade, a justificarem deslocação.


E ainda na rua do Espírito Santo
E visitem-se ainda os belos balcões desta Rua, na saída para sul de Medelim, desembocando junto ao imponente balcão da Casa das Freires (hoje casa da cultura).
O belo conjunto do Espírito Santo       

Na Travessa da Praça e na Rua do Ribeirinho
A primeira imagem é a de raro balcão com escada em leque na travessa da Praça (hoje chamada de 25 de Abril), que, juntamente com outras ruas, desemboca na Praça, centro cívico e da Justiça, onde existiu até finais do séc. XIX o pelourinho e onde ainda se pode ver o que resta da casa da prisão.

A segunda fotografia é de balcão, autêntico na sua traça, na rua do Ribeirinho (hoje da Misericórdia), esta assim chamada por ter sido construída sobre o ribeiro que percorre a aldeia de nascente para poente até à Fonte do Arco, e onde existiu um pontão romano demolido nos anos 40 do séc. XX, que ligava a Praça com a rua da Tulha.

Na travessa da praça
Na Rua do Ribeirinho

Na Rua da Torre

Na Rua da Torre
Acantonamento militar romano, Medelim veio a ter mais tarde muralha.

Em resposta a inquérito após o terramoto de 1755, o pároco Estevão Canilho (março de 1758) escreveu: "É este lugar murado em toda a roda com muros exteriores e dentro da povoação há uma torre a que chamam castelo e haverá oito anos caiu o telhado e uma face dele, quase todo ele existe no mesmo estado". Destas muralha e torre não restam hoje vestígios, mas ficou   o nome de uma rua e zona ampla, onde se situa o balcão que se vê na imagem.



A casa da Cultura

A Casa da Cultura
Nesta casa brasonada dos sécs. XVI / XVII (estilo filipino e exemplar raro em Portugal), instalou a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova - hoje sua proprietária por doação de beneméritos locais que a receberam das sucessoras da família originária (as Senhoras Freires) - a Casa da Cultura, dando corpo a projecto de comunidade de Medelim para recuperação de património e criação de coesão das gentes da terra e de dinamismo cultural.