O património histórico-cultural de Medelim está muito centrado na sua tradição cristã, que levou as suas gentes a manifestarem a Fé pela instituição de uma Misericórdia e pela construção de vários templos, dos quais pelo menos o de S. Martinho e de S. Tiago desapareceram, deles existindo ténues vestígios.
É curioso o relatório que o Padre Estevão José Canilho enviou ao Rei em 9.3.1758, aquando do inquérito sobre o estado da povoação após o tremendo terramoto de 1755, de que se transcreve o seguinte na saborosa linguagem da época: " (...) esta povoaçam do lugar de Medelim freguezia de Santa Magdalena Arciprestado de Monsanto Bispado da Guarda Comarca de Castello Branco termo deste mesmo lugar. (...) Nam tem Conventos. Tem hospital que o administra o provedor da Mizericordia e muito insuficiente. Tem Caza da Mizericordia muito incapas e nam se sabe qual foi a sua origem por ser antigua (...). Tem irmidas este lugar dentro delle huma de Sam Sebastiam e fora delle contro que he Santo Estevam o Senhor Jesu do calvario, O Devino espirito Sancto e de Apostolo Santiago todas feliais desta Igreja Matris de santa maria Magdalena. A Irmida do Senhor Jesu do calvario nas festas do natal pascoa Pentecostes vem alguma gente de romagem."
Na imagem um magnífico painel do séc. XVII (1688), do espólio da Misericórdia, pintura erudita a óleo sobre o linho dobrado, com a cena realista da flagelação de Cristo.
A Misericórdia
Logo no início da fundação desta conhecida instituição portuguesa, a Misericórdia de Medelim, da provável data de 1500, a par com as de Monsanto e de Proença-a-Velha, mantém a sua actividade e teve largo exercício das obras de misericórdia, a ponto de ter possuído hospital e de ter sido sustentada por razoável património fundiário. O templo actual aformoseado no séc. XVII, é sóbrio e possui original altar a merecer observação. Situa-se na antiga Praça, centro cívico da freguesia.
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Bandeira processional |
Bandeira processional |
A Capela do Espírito Santo
A antiquíssima capela do Espírito Santo, tradicional culto da Beira Baixa, situa-se à saída sul da terra, pelo que, pela tradição da guarda da peste, passou a ter também a devoção a S. Sebastião, nome por que é igualmente conhecida.
O seu altar rico e policromado contrasta com a austeridade do exterior, tudo do dealbar do séc. XVII.
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A casa da Capela de São Tiago
e o Chafariz da Devese |
A Capela de S. Tiago
Pouco resta desta antiga capela fora de muralha, apesar de a tradição assinalar que chegou a ter hospício a ela anexo. A casa da fotografia, a examinar com cuidado, releva as belas cornijas e cimalhas em cantaria de qualidade. Não longe outros vestígios podem ser "descobertos" de uma outra capela, com boas cantarias e gárgula, de invocação perdida na noite dos tempos, mesmo ao lado de curiosa casa contendo pedra dos "Roballo".
Ao fundo da Rua Nova (hoje Victor Pires Franco) vê-se o chafariz velho ou da Devesa, com os seus três vasos graníticos e brazão real.
A Matriz
Sofrendo várias aculturações, a igreja matriz, de traça primitiva oitocentista, é um templo harmonioso que justifica alguma parança. O altar-mor foi totalmente modificado nos anos 60 do séc. XX, com a introdução de novo altar e de um púlpito versus populi em bom granito e com a substituição da madeira muito rústica e degradada por um grande pano em cantaria, onde se destaca, encastoado, o sacrário renascentista também em pedra. O altar lateral do Sagrado Coração de Jesus é em boa talha dourada. À esquerda da entrada principal o baptistério é mimoso. No exterior, a torre sineira do campanário, já do fim do séc. XIX, é separada da igreja e destaca-se no adro extenso com bancada em granito.
Uma despedida nostálgica e de
esperança
Neste contra-luz do calvário, com a espantosa e extensa paisagem que do monte se divisa quer sobre o povoado, quer sobre as planícies com mais de cinquenta quilómetros de largueza até aos maciços da Gardunha e da Estrela, se despedem os nossos olhos, cheios de encantos e de nostalgia. Terminada a visita, com a promessa de regresso, ficam os poucos habitantes permanentes à espera de viandantes e das famílias que retornam ciclicamente nas épocas festivas. O excelente Centro de Dia, muito frequentado, espelha uma população remanescente. Com esperança, todos aguardam os que queiram fixar-se em busca de uma vida mais tranquila e com novas iniciativas.
Sob as oliveiras e os sobreiros, culturas marcantes e fonte da riqueza da zona, abrigam-se os rebanhos de ovelhas, branqueando como pontos no horizonte, e base da melhor gastronomia da região com o queijo, a travia, o requeijão, o ensopado de borrego. Em redor, motivos turísticos sem fim, a verificar e a descobrir. Até breve!
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