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Idanha-a-Velha - "Aldeia de Casario Granítico e Ambiente Pitoresco"

Idanha-a-Velha localiza-se a 15 Km da vila de Idanha-a-Nova (sede de concelho), a 12 Km da aldeia de Monsanto e a 31 Km das Termas de Monfortinho, localidade termal que faz fronteira com Espanha.

Conhecida pela sua beleza natural e pelos vestígios históricos que encerra, a aldeia de Idanha-a-Velha ocupa uma área de 4,5 hectares em duas pequenas elevações, abraçadas a sudoeste e oeste por um apertado meandro do rio Ponsul, tributário do rio Tejo. A sua implantação faz com que apareça denominada paisagísticamente pela fortaleza de Monsanto.

Quadro Histórico

Idanha-a-Velha - capital da civicas Igaeditanorum da época romana - foi possívelmente fundada no período de Augusto (séc. I a.C.) e terá sido o resultado da política de apaziguamento e ordenamento do território, por parte de Roma, e da necessidade de criar um ponto de paragem intermédio entre a Guarda e Mérida.

Torna-se, assim, credível que os primeiros habitantes da cidade tenham sido oriundos de um núcleo populacional pré-romano fortificado, localizado nas imediações, designado por Cabeço dos Mouros. Fortalece esta hipótese o facto de, até ao momento, não terem sido encontrados materiais arqueológicos que sugiram uma ocupação do sítio anterior à época romana.

Do nome da cidade pouco se conhece. As fontes mais antigas apenas a referem enquanto a circunscrição administrativa Cívicas Igaeditanorum, nome derivado da designação do povo pré-romano que habitava a região onde a nova cidade se implantou (os igaeditani). A forma actual deriva da forma visigótica Egitania e da árabe Idania.

Também pouco se conhece da história da cidade durante o período romano, embora ela deva ter tido um período de grande prosperidade durante o Alto Império.

No seu período de maior florescimento a cidade estendia-se seguramente desde a actual entrada norte até às margens do rio Ponsul, ocupando praticamente toda a área interior do meandro do rio. Alguns vestígios de uma rica habitação detectados na margem esquerda, no Olival das Almas, sugerem mesmo uma extensão ainda maior.

No centro da cidade encontrava-se o forum, certamente uma construção do séc. I, eventualmente do tempo de Augusto. Trata-se de um espaço rectangular definido por um muro a toda a volta, hoje praticamente irreconhecível, com a entrada a leste. Na cabeceira oeste encontra-se o podium do templo, provavelmente dedicado a Vénus. Para sul do forum encontravam-se as termas.

As dimensões das estruturas já escavadas sugerem tratar-se de um edifício público. Os abundantes elementos de construção romanos, reaproveitados na muralha, indicam a existência de numerosos edifícios. Porém, as escavações arqueológicas até agora realizadas nada mais deram a conhecer do núcleo urbano da cidade.

Nos arredores foram encontrados um forno cerâmico e uma barragem que talvez abastecesse de água a cidade.

Nos séc. III-IV o perímetro urbano contraiu-se com a construção de uma forte muralha que cercava apenas uma pequena parte daquilo que foi a cidade do Alto Império. As muralhas mostram, aliás, nitidamente terem sido reconstruídas e modificadas ao longo do tempo. As portas actuais não parecem corresponder às romanas. Antes se devem atribuir ao período muçulmano, como sugere o investigador histórico Cláudio Torres, ou mesmo ao período da Reconquista.

Com as invasões germânicas peninsulares do início do séc. V a cidade passou a integrar o reino dos suevos. Deste período também pouco se sabe. A informação disponível respeita à criação da diocese da Egitania, com sede em Idanha-a-Velha, talvez por determinação do rei Teodomiro. Em 569 a cidade fez-se representar no Concílio de Lugo.

Em 585 o reino dos suevos foi integrado no reino visigótico. Idanha-a-Velha terá ganho um novo impulso económico e político-administrativo. A cunhagem de moeda em ouro parece ser uma demonstração inequívoca daquele período de prosperidade. Os abundantes elementos de construção ricamente decorados corroboram também esta tese.

O edifício actualmente designado por Sé Catedral é tradicionalmente atribuído àquele período. No entanto, o mais provável é que as suas estruturas assentem sobre um edifício Visigótico que pouco terá a ver com o actual.

O baptistério, datável dos séc. Vl-VII, junto à porta sul da Sé, deve ser interpretado como o vestígio da primeira basílica paleocristã. Como a sua planta parece discordante da planta do actual edifício, é de admitir que corresponda ainda ao primeiro templo suevo, sobre o qual os bispos visigóticos erigiram a nova catedral que, sucessivamente reconstruída, deu o actual templo. Idanha-a-Velha foi tomada ao reino visigótico pelos muçulmanos no ano de 713.

Durante o período de ocupação muçulmana a cidade terá atingido uma grande dimensão, se comparada com outros importantes centros urbanos da época como Silves, Beja ou mesmo Lisboa. Alguns autores contemporâneos referem-se-lhe como sendo uma cidade "rica". Nesse período a Sé visigótica foi adaptada a mesquita, com obras de algum vulto. A Porta Norte deve ser atribuída àquela época, assim como os torreões de planta circular adoçados à muralha.

Em 1114, D. Teresa faz a doação de Idanha a D. Egas Gosendiz e a sua mulher dizendo "que há muito está deserta ". Afonso Henriques mandou ocupar Idanha e doou-a a Gualdim Pais, da Ordem dos Templários. Tendo sido novamente ocupada pelos mouros, é reconquistada aos muçulmanos no reinado de Sancho I que a volta a entregar aos Templários. No entanto, dada a sua posição, novamente cai nas mãos dos muçulmanos. No tempo de D. Sancho II Idanha-a-Velha encontrava-se já numa situação de decadência e despovoamento de tal ordem que D. Sancho manda, em 10 de Março de 1240, que "fosse todo o povoado até ao último dia do próximo mês de maio, sob pena de perderem o que seu fosse os que não viessem povoar". Em 1244 foi doada novamente à Ordem dos Templários.

A Ordem efectuou algumas obras militares das quais a mais conhecida é a torre que assenta sobre o podium do templo do forum. Porém, a deslocação da fronteira cada vez mais para sul e para leste, juntamente com a pouca aptidão defensiva do sítio, provocou um inexorável processo de decadência. Depois de sucessivas tentativas de fixação da população em Idanha, através da concessão de múltiplas benesses, D.Manuel I concede-lhe Foral Novo, em 1 de Junho de 1510, tendo esta sido uma última e frustrada tentativa régia de devolver à cidade o seu prestígio e importância.

Património Natural e Construído

Conhecida pelo vasto património histórico que se encontra no interior das suas muralhas, Idanha-a-Velha tem sido campo de estudo de diversos investigadores, principalmente no domínio da arqueologia, atraindo também, por esse motivo, cada vez mais visitantes. Reconhecida a sua importancia no contexto da história regional, e mesmo nacional, o interesse histórico e científico do sítio tem vindo a ser redescoberto e amplamente revisto ao longo dos últimos anos.

Ao interesse das ocupações romana e visigótica -períodos que quase exclusivamente atraíram os primeiros investigadores - parecem equiparar-se, por justiga e fidelidade à história, as ocupações muçulmana e medieval, a que os investigadores nos tempos mais recentes têm dado realce. De qualquer modo, o interesse histórico-científico da aldeia reside precisamente na sucessão das ocupações de diferentes povos e culturas e não na hegemonia e superioridade de uma determinada ocupação.

O interesse em estudar Idanha-a-Velha remonta ao Renascimento, já que a abundante colecção de inscrições latinas desde cedo recebeu a atenção de diversos humanistas. Foi, no entanto, entre finais do século passado e inícios deste que José Leite de Vasconcelos e Félix Alves Pereira redescobriram e divulgaram a aldeia, nomeadamente nos aspectos relacionados com a sua ocupação romana. A estes dois investigadores devem-se os primeiros estudos monográficos com carácter científico. Foram também os primeiros a recolher materiais arqueológicos, actualmente depositados no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia. Ainda naquele período, Francisco Tavares de Proença Júnior, um dos mais ilustres investigadores regionais, publicou alguns estudos sobre materiais arqueológicos de Idanha-a-Velha.

Nos anos seguintes a aldeia caiu novamente no esquecimento, interrompido esporadicamente por uma ou outra referência ou pequeno artigo em revistas de arqueologia. A investigação arqueológica só viria a ser retomada no início dos anos 50, por intermédio do investigador Fernando de Almeida, a quem se deve a projecção de que o sítio goza actualmente. Com efeito, este investigador compilou toda a informação dispersa e recolheu no terreno uma massa considerável de dados. A obra Egitania - História e Arqueologia, publicada em 1956, resultado daquele trabalho académico,constitui a primeira, e até agora única, síntese sobre o sítio. Em 11 de Agosto de 1982 a Catedral e as ruínas envolventes, classificadas como "Imóvel de Interesse Público" desde 1956, ficaram afectas ao então Instituto Português do Património Cultural (IPPC).

Ambiente Sócio-Económico

O seu riquíssimo património histórico e arqueológico atrai à aldeia um fluxo regular de turistas com motivações culturais e científicas, criando um ambiente muito específico. Em período de férias a aldeia anima-se com a presença de grupos de estudantes universitários de História e Arqueologia que ali participam em campos de trabalho ligados às actividades arqueológicas.

Idanha-a-Velha possui uma associação - Liga dos Amigos da Freguesia de Idanha-a-Velha (LAFIV) - que tem como objectivo primordial o desenvolvimento da localidade em termos de serviços essenciais.

Significativo da paragem de Idanha-a-Velha no tempo, praticamente desde o século XVI, é o facto de a quase totalidade da aldeia e dos terrenos em redor ser pertença de uma única família.

Idanha-a-Velha é hoje habitada por um escasso número de pessoas que se ocupam em actividades como a horticultura, a silvicultura e a agro-pecuária de autoconsumo. É uma população muito envelhecida em resultado dos processos migratórios que também afectaram esta aldeia. Actualmente tem menos de 100 habitantes.

Regista-se alguma actividade comercial, nomeadamente devida à existência de cafés e de um mini-mercado.

Programa de Intervenção

A aldeia de Idanha-a-Velha é um local com características para o desenvolvimento de um turismo essencialmente cultural, pela sua condição de museu aberto e vivo em que, na diversidade do seu quadro arquitectónico, ressalta a herança dos mundos romano e visigótico em permanente (re)descoberta arqueológica. A intervenção pública a realizar pretende devolver aos visitantes a ambiência do que foi a antiga cidade do Reino Visigótico.

Acções

Catedral e zona envolvente: A catedral de Idanha-a-Velha é um edifício que vale por si, pela sua monumentalidade. No entanto, deverão ser criados no seu interior meios que permitam a realização de diversas actividades culturais e lúdicas, nomeadamente exposições temáticas (religião,arquealogia), que deverão atender sempre à especificidade do edifício. A catedral e ruínas envolventes serão dotadas de um sistema de iluminação que a destaque do conjunto arquitectónico.

Entidade Responsável:
Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR).

Porta norte: Foi reconstruída a Porta Norte e fez-se o arranjo urbanístico da sua envolvente. Este projecto obrigou à realização prévia de trabalhos de pesquisa arqueológica.

Entidade Responsável:
Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR).

Lagar de azeite: Foi feita a recuperação do edifício e a adaptação das suas diferentes áreas a fins musealógicos, nomeadamente para exposição das lápides romanas que actualmente se encontram na Catedral. No decurso das obras, fruto de novas escavações arqueológicas, pôs-se a descoberto uma nova série de estruturas arqueológicas para as quais estão em curso trabalhos de salvaguarda.

Entidades Responsáveis:
Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e Câmara Municipal de Idanha-a-Nova.

Largo do Espírito Santo: O Largo do Espírito Santo, situado no exterior da zona muralhada, constitui um pólo de desenvolvimento urbanístico espontâneo. É também aqui que a população da aldeia realiza as suas festividades, tendo a Junta de Freguesia dotado o local com alguns equipamentos (palco, praça de touros e casa de venda de bebidas e comidas) de qualidade e concepção desenquadradas. A reorganização desta área passará pela construção do mesmo tipo de equipamentos, mas devidamente concebidos e adequados ao local.

Entidade Responsável:
Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

Circuito arqueológico e melhoramentos urbanísticos: Existe um percurso de visitas devidamente sinalizado, de forma a orientar o visitante sobre a localização dos sitios de maior interesse e, ao mesmo tempo, proporcionar-lhe uma informação sucinta. Toda a área envolvente do percurso está a ser objecto de recuperação paisagistica e ambiental, com melhoramento dos pavimentos e enterramento dos cabos de electricidade e comunicações.

Simultaneamente será feira a iluminação dos principais monumentos e melhorados os sistemas de recolha de lixo existentes.

Entidade Responsável:
Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

Posto de Turismo: Estão em curso obras de recuperação e adaptação de um edifício para Posto de Turismo nas proximidades da Porta Norte.

Entidade Responsável:
Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

Palheiros de S. Dâmaso: Foram executadas obras de recuperação destes imóveis que irão servir para apoio aos trabalhos de arqueologia.

Entidade Responsável:
Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

Igreja Matriz: Está prevista a sua recuperação e restauro.

Entidade Responsável:
Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

Consultoria Arqueológica: Qualquer projecto arquitectónico ou paisagístico que se efectue em Idanha-a-Velha tem de ter obrigatoriamente o acompanhamento de uma equipa de arqueólogos. Qualquer obra que envolva o manuseamento de terras, mesmo nos terrenos circundantes da aldeia, terá de ficar sujeita a um estudo de impacto arqueológico, o qual podera passar pela realização de sondagens arqueológicas ou por outros trabalhos de maior complexidade.

Entidade Responsável:
Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

Fachadas e Telhados: Apoio técnico e financeiro à recuperação das fachadas da povoação no sentido de reforçar a sua importância histórico-arqueológica, para o que têm sido desenvolvidas acções de cooperação entre a população eos organismos locais.

Entidade Responsável:
Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

Ficha Técnica

Título: Programa das Aldeias Históricas de Portugal
Edição: Comissão de Coordenação da Região Centro
Fotografias: CCRC, Francisco Leite Pinto
Design Gráfico e Maquetização: RPM, Ideias e Comunicação, Lda
Pré-Impressão: RPM, Ideias e Comunicação, Lda
Acabamentos, Montagem e Impressão: Norprint, Artes Gráficas, S.A.
Depósito Legal: 127813/98
ISBN: 972-569-100-8 

Adaptação a Hipertexto: Câmara Municipal de Idanha-a-Nova